Como a tendência Barbiecore reflete a atualidade?

A tendência Barbiecore é um dos maiores estilos da atualidade. Fala sobre feminilidade, cores vibrantes, nostalgia e diversão. Mas você já se perguntou de onde ela veio? Como ela tem a ver com os padrões de beleza? Confira uma cobertura completa neste post.

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Você deve já ter ouvido por aí sobre a trend Barbiecore. Com certeza ouviu  que ela surgiu do novo filme da Barbie, que será lançado em 2023. Mas será mesmo que somente uma produção cinematográfica é capaz de fazer nascer uma tendência? Ou será que têm muitas outras questões comportamentais envolvidas? 

Vamos falar sobre esse tema, de suas influências, da relação que a boneca Barbie tem com os padrões de beleza femininos. A ideia é também destacar como podemos redefinir esse conceito, em uma vertente mais inclusiva e inovadora. Leia abaixo e entenda em detalhes!

  • Influências: Descubra os motivos do crescimento da tendência Barbiecore 

Barbiecore foi mais uma das nomenclaturas atuais que viralizou no TikTok. O crescimento nas plataformas pelo termo “Barbie Girl” chegou a 92% em relação ao ano anterior. Um dos fatores desse aumento foram as misteriosas cenas de bastidores vazadas do filme Barbie, que estrela Margot Robbie e Ryan Gosling. Mas há diversas tendências relacionadas que impulsionaram ainda mais essa trend.

Como, por exemplo, a sensação de nostalgia. A Barbie remete aos momentos de diversão da infância. Cenário esse que tem tudo a ver com a volta da estética dos anos 2000. As patricinhas dos filmes, com seus looks pink, sandálias plataformas e penteados marcantes. Na moda, as tendências estão sempre interligadas. Não é por acaso que esses e outros ícones do início do milênio – como a saia mini de cintura super baixa – fizeram o seu comeback.

Além disso, não tem como falar de Barbiecore e não falar da cor rosa. A boneca que representa o ideal de feminilidade se associou diretamente ao tom que transmite todo esse simbolismo feminino. Em março deste ano, o atelier de alta-costura Valentino, conhecido pelo destaque à cor vermelha, apresentou um desfile dominado pela cor rosa. Mas não qualquer rosa: um tom criado exclusivamente para a marca, o Pink PP. Através de silhuetas ousadas, a marca Valentino fez história, destacando a importância da cor para a atualidade.

Como estamos falando dos simbolismos das cores, não tem como não citar outra grande influência das últimas temporadas: as Dopamine Colors. Cores vibrantes, que recebem esse nome em analogia ao neurotransmissor humano dopamina responsável pelas sensações de prazer e felicidade.

Você percebeu como as pessoas estão sempre buscando se expressar por meio das roupas? O ato de escolher usar cores marcantes, mesmo em meio ao inverno, é uma forma de acreditar em um modo positivo de ver a vida, na esperança de dias melhores. 

  • Padrão de beleza Barbiecore: Confira como os ideais mudaram ao longo dos anos

Mas como toda a tendência tem duas faces, essa predominância por tons vibrantes também pode indicar uma sensação de escapismo, uma busca por um ideal. Um ponto interessante para refletir é: qual o ideal que a Barbie transmite? A mulher loira, de olhos azuis e corpo magro levemente curvilíneo. Um padrão integrado há mais de um século em nossa sociedade, massificado pela indústria da moda e da publicidade e que nos impacta até hoje. Ele diz muito sobre a boneca Barbie criada nos anos 50 e também sobre as musas inspiradoras que nos mostravam o ideal de cada época. 

Marilyn Monroe foi ícone nos anos 50. Sua sensualidade, confiança e autenticidade reinventaram o padrão. Marilyn ostentava sua figura em formato ampulheta e tornou-se um verdadeiro sex symbol, despertando desejo de muitos e também resistência de grupos mais conservadores. 

Na televisão brasileira dos anos 80, a Xuxa dominava as telinhas com botas over the knee e cabelos loiros. Apesar de ser uma apresentadora de programa infantil, ela impactou diretamente os adultos que também assistiam às programações. Com looks ousados (minissaia, decotes e collants) e as loiríssimas paquitas vestidas em pequenos shorts.

Nos anos 90, a moda heroin chic (estilo grunge – modelos extremamente magras, pele pálida, olhar blasé e cabelo liso) imperava. A modelo brasileira Gisele Bündchen surgiu chamando atenção das passarelas mundiais com seu visual bronzeado, corpo com curvas, cabelo desgrenhado e aspecto mais “saudável”.

No início dos anos 2000, Britney Spears era considerada a princesinha do pop. Ela transformou seu inicial olhar ingênuo e canções românticas para assumir o posto de femme fatale, com músicas provocantes e danças sensuais. Britney, com sua barriga definida, usava e abusava da calça de cintura baixa e piercing no umbigo, estilo que virou febre entre os jovens.

  • Uma mudança no padrão Barbiecore? Quem é a musa da atualidade?

E na atualidade? Quem seria a musa inspiradora da moda e dos corpos das mulheres? Pode-se dizer que os anos 2010 foram impactados pelo corpo de Kim Kardashian. Depois da própria Barbie e de tantos ícones femininos de pele clara, magras e loiras. Kim aparece com coxas largas, bumbum e seios grandes e uma cintura fina.

Quando os corpos magérrimos deixaram de ser tendência, admito, comemorei. Com a ascensão das Kardashians e do bundão, eu me sentia, de alguma forma, parte da conversa. Eu e minha bunda estávamos, oficialmente, na moda.” afirma Bárbara Rossi, repórter da Elle. Porém, sabemos que o corpo Kardashian não é natural. Todas as irmãs Kardashian-Jenner realizaram diversas cirurgias plásticas e foram modificando muito sua figura ao longo dos anos. 

Neste ano, Kim chamou atenção por sua perda significativa de peso e também, por uma aparente retirada das próteses de silicone e bumbum. Estaria o padrão mudando novamente? A busca pelo corpo perfeito é inatingível, pois quanto mais tentamos nos adequar a ele, mais ele muda. O padrão de beleza é a eterna insatisfação feminina.

O corpo gordo sem silhueta ampulheta, por exemplo, nunca viveu seus 15 minutos de fama. O corpo com deficiência também raramente ganha qualquer representatividade. A obsessão em dissecar e padronizar o corpo feminino, então, era a mesma, só estava desenhada em contornos diferentes.”, afirma Bárbara.

Isso nos abre o pensamento para pensar no futuro. Estamos nos encaminhando para uma nova onda de magreza extrema à la Kardashians e das novas influenciadoras do Tik Tok? Ou será que essa é uma oportunidade para nos libertarmos desse ideal? 

  • Novo conceito: reinventando o Barbiecore 

Por mais que na tendência Barbiecore exista essa crítica problemática, muitos portais e influencers estão apostando em uma ideia de Barbie da Nova Era. E essa perspectiva tem fundamento, pois incentiva as pessoas a incorporarem qualquer persona Barbie que escolherem – mostrar a sua identidade por meio da estética. 

É o caso do rapper Lil Nas X, fã da tendência Barbiecore, que acumula premiações e faz história no meio musical, sendo um homem negro gay. Lizzo, que usa suas canções e performances para falar sobre quebra de padrões estéticos e racismo. Trixie Mattel, uma das drag queens mais conhecidas do mundo, que usa sua maquiagem característica inspirada na Barbie. Laverne Cox, atriz e primeira mulher trans do mundo a receber uma Barbie produzida em sua homenagem. A partir de 2016, a Mattel (companhia de brinquedos fabricante da Barbie) lançou Barbies com mais de sete tonalidades de pele, biotipos corporais diferentes, cadeiras de rodas, próteses e aparelhos auditivos. Houve também o lançamento da primeira Barbie e Ken com vitiligo.

A collab Balmain X Barbie 2022 é outro marco em relação à inclusão de gênero e raça. A coleção é unissex e conta com um modelo queer. O estilista da Balmain, Olivier Rousteing aponta: Muitos rapazinhos querem brincar com uma Barbie e são proibidos [pelos seus pais]. Às vezes, a sociedade quer colocar-nos numa caixa. Ter uma Barbie no meu exército Balmain, fazer uma coleção inspirada nela, em que não há roupas de menino ou de menina, é a minha pequena vingança. Para mim, isto é muito mais do que apenas um projeto comercial. É emocionante”.

Moda é autoexpressão. A Barbie pode ser uma extensão disso para uma nova geração de crianças. Por mais que as influências sejam muitas e os padrões de beleza sejam opressores. É possível sonhar com um futuro através de uma lente inclusiva de gênero, raça e de corpo.

Concluímos que não é por acaso que a tendência Barbiecore está em alta, existem infinitas questões a serem refletidas na moda. E o que importa realmente é seguirmos mais conscientes e fiéis à nossa autenticidade.

Se esta reflexão foi válida, comente aqui e siga nas redes sociais. Fique à vontade para compartilhar. Quem sabe uma grande mudança global pode surgir em meio as nossas conexões.

Texto feito pela Equipe Provador Fashion

Referências:

Imagem destacada via @carodaur

ROSSI, Bárbara. Meu corpo não é moda. Revista Elle. Disponível em: https://elle.com.br/beleza/meu-corpo-nao-e-moda Acesso 21 set 2022.

F LUXURY, Balmain lança coleção em parceria com a Barbie. Disponível em: https://www.fluxurymagazine.com/2022/01/25/balmain-lanca-colecao-em-parceria-com-a-barbie/ Acesso 25 set 2022.

FOLHA. De Elsa Schiaparelli à Barbie: Podcast discute discute por que rosa-choque é a cor do momento. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/podcasts/2022/09/de-elsa-schiaparelli-a-barbie-podcast-discute-por-que-rosa-choque-e-a-cor-do-momento.shtml Acesso 10 set 2022.

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