Brechós: de onde vieram e para onde vão

Você tem o hábito de comprar em brechós? Pois saiba que esta é uma tendência forte de comportamento, não apenas pela possibilidade de encontrar peças raras a preços acessíveis, como também por incentivar o consumo consciente na moda.

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150 bilhões de peças de vestuário são produzidas anualmente, 30% deste total global nunca são vendidas e 50% acabam indo parar em aterros sanitários em menos de um ano. É urgente refletir também sobre como a indústria da moda é uma das mais poluentes do mundo, produzindo 1,2 bilhão de toneladas de dióxido de carbono por ano. (Pesquisa – Sharecloth)

Os brechós são alternativas para enfrentar esse cenário, afinal, a roupa mais sustentável é aquela que já existe. Mas engana-se quem pensa que esse é um movimento recente, a história dos mercados de trocas é tão antiga quanto a própria humanidade. Mergulhe nessa linha do tempo e confira iniciativas que podem transformar o futuro do vestuário.

  • Como surgiram os Brechós?

Desde a pré-história, o escambo de suprimentos e objetos ornamentais já era realizado. Porém foi no século 18 que essa prática evoluiu para pontos centrais na Europa, onde era possível encontrar de tudo, desde alimentos, móveis e alguns artigos têxteis. Nos arredores de Paris, em Saint-Ouen, a Feira da Ladra foi consolidada como o maior mercado de antiguidades do mundo, fundado em 1885 e ativo até hoje.

O termo “brechó” surgiu no Brasil no século 19, graças ao caixeiro viajante Belchior, que fundou diversos estabelecimentos de compra e venda de produtos usados. A dificuldade de pronunciar o nome “Casa de Belchior” se adaptou à expressão que conhecemos hoje, popularizando a ideia nacionalmente.

As Guerras do século 20 e a Crise de 1929 marcaram o início de uma transformação nos padrões de consumo. Em tempos de escassez, a reutilização de roupas se tornava uma necessidade. Assim, os brechós se consolidaram como locais para comprar roupas em bom estado a preços baixos. 

O movimento hippie dos anos 60 tinha como princípio a rejeição aos valores do consumismo, buscando uma vida mais autêntica, liberta e conectada à natureza. Eram nas lojas de roupas usadas que os membros encontravam as peças que refletiam suas personalidades. 

Com a globalização intensa e o aumento da produção de itens de vestuário, aumentou também o descarte precoce e fortaleceu o sistema do fast fashion (a moda rápida, das grandes cadeias de lojas que trocam de coleção semanalmente).

Assim, no novo milênio, começou a ser discutida uma contracorrente: a moda sustentável. Os brechós são símbolos deste novo estilo de vida, diminuindo o impacto da indústria e permitindo uma nova vida para os itens.

Com a pandemia de COVID-19, os sistemas de brechós online se fortaleceram. Durante o isolamento, uma grande parcela da população revisou seus armários e o resultado, em números, é que: as vendas de roupas usadas tiveram um aumento de 27% em 2021, contrastando com uma queda de 23% no varejo como todo.

  • O futuro dos brechós

“Se quisermos realmente transformar nossa indústria, precisamos começar a oferecer alternativas seriamente melhores para o que está por aí e garantir que essas alternativas sejam acessíveis a mais pessoas” – Eva Karlsson

A fundadora da marca de sportswear Houdini, percebeu o momento de mercado e lançou a iniciativa Houdini Reuse, um marketplace que permite aos usuários comprar e vender peças de coleções antigas. A sacada estende a vida útil dos produtos e fortalece o propósito da marca de “feito para durar”. Isso é um exemplo de brechó online e exemplifica como as marcas devem estar em constante atualização para sobreviverem na era digital. 

Outros marketplaces merecem destaque. O The Real Real é simplesmente a maior plataforma de revenda de artigos de luxo do mundo, com marcas como Chanel, Hermès, Louis Vuitton e Christian Louboutin. A Gucci fortaleceu ainda mais o seu discurso pró-sustentabilidade se comprometendo a plantar uma árvore para cada venda da marca realizada no site.

A Troc é o maior brechó online de luxo do Brasil. Fundada em 2017, faturou R$10 milhões em menos de três anos e foi comprada em 2020 pelo Grupo Arezzo Co. Ainda no cenário nacional, a Repassa (adquirida recentemente pelo Grupo Renner) opera através das chamadas “Sacolas do Bem”, utilizadas para o envio das peças de forma prática. 

O futuro dos brechós também será impactado pelas inteligências artificiais. Pesquisas apontam que 41% dos consumidores procuram primeiro itens de segunda-mão ao comprar roupas, principalmente influenciados pelos preços menores e chegam a percorrer sites por três horas. A Beni é uma startup americana que inclui uma extensão no navegador e rastreia as maiores plataformas de revenda em busca de sugestões de produtos relacionados com o que você procura. 

A realidade aumentada cria uma experiência única de compra e pode ser aplicada aos brechós. A American Eagle lançou a RE/AE, uma loja de revenda virtual, em parceria com o app Snapchat. Na loja 3D, o usuário pode explorar mais de 200 peças dos anos 80, 90 e 2000 da marca, e ao clicar nos produtos selecionados é possível obter informações de sustentabilidade e seguir para o check-out da compra.

E para os brechós físicos? Existe a oportunidade de crescimento na modalidade presencial, investindo em organização do espaço + limpeza + atendimento personalizado e também no meio digital com presença ativa nas redes sociais + stories atrativos  diários + conteúdo relevante de posicionamento da marca + criação de loja online para atrair consumidores que não podem se deslocar à loja.

Dos mercados de trocas até as plataformas digitais, os brechós evoluíram ao longo da história. Onde antes havia uma resistência, hoje garimpar passou a ser considerado cool. A previsão é que o mercado de segunda mão vai dobrar até 2028, chegando a um faturamento de US$ 350 bilhões (ThredUp). Isso reflete uma mudança significativa nos hábitos de consumo e na valorização da moda sustentável.

Sonha em ter um brechó, ou já tem e quer elevá-lo ao próximo nível? Então o curso Brechó High Level é para você! Descubra o segredo dos melhores brechós de Nova York para vender peças de segunda-mão com alto valor agregado.

Texto feito pela Equipe Joy House

Nesse texto usamos algumas palavras e termos em inglês. Que tal incluí-las no seu vocabulário, caso sejam novas para você?

Sportswear = Artigos de esporte

Marketplace = Loja online

Startup = Empresa nova, em fase de desenvolvimento

Check out = Finalizar o pedido

Cool = Moderno

Referências:

Imagem destaque: @paris-flea-market – @houdini

Bloomberg Linea: IA facilita consumo sustentável e pode inibir fast fashion

Carta Capital: Fashion Revolution

Colóquio de Moda: O Passado Presente

Glossy: Why American Eagle launched resale with an AR store

Sharecloth: The Apparel Industry Overproduction Report & Infographic

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