Além das telas: um review no Oscar de Melhor Figurino

Na noite de domingo (10) aconteceu a premiação mais importante da indústria cinematográfica: o Oscar. E para as fashionistas, todos os holofotes vão para o prêmio de figurino.

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Os figurinos contam histórias. São capazes de expressar sentimentos, marcar época e chocar. Os profissionais responsáveis pela criação, os figurinistas, passam por verdadeiras imersões junto aos diretores, para conseguirem expressar as características dos personagens por meio das roupas e acessórios. E em 2023 eles superaram todas as expectativas.

No ano passado, diversos longas-metragens se destacaram e passaram a compor a lista de indicados. Claro, sem desmerecer a lista dos esnobados, como “A Cor Púrpura” e “Priscila”, que ficaram de fora das indicações, mas trouxeram muita riqueza visual através da moda. 

Como é feito esse filtro? Meses antes do glamour no tapete vermelho, a Academia elege jurados para avaliar os filmes considerando o contexto histórico, originalidade, qualidade de confecção e impacto visual dos figurinos. 

E o escolhido da vez foi: Pobres Criaturas. Sim! O longa experimental de Yorgos Lanthimos foi o vencedor nesta categoria (e em três outras, contando com o Oscar de Melhor Atriz para a protagonista) e isto pode apontar uma mudança no futuro do cinema. Vamos juntos entender o porquê e conferir os quatro outros filmes indicados? 

  • Vencedor Oscar de Melhor Figurino: Pobres Criaturas

O filme Pobres Criaturas gerou uma série de questionamentos, porém o figurino foi uma decisão unânime: simplesmente perfeito. Com referências surrealistas, o fato desta produção ser a ganhadora é um sinal de que a Academia e o público estão abertos para obras mais controversas.

Baseado no livro de Alasdair Grey e referenciando o clássico Frankenstein, o filme explora a jornada de emancipação de Bella Baxter (Emma Stone), que é trazida de volta à vida através de um experimento médico. Seu corpo é de mulher adulta e sua mente inicialmente é de recém-nascida. 

A moda é uma ferramenta essencial para desenrolar essa trama, conta a figurinista Holly Waddington. Na ingênua “infância” da personagem, Holly aposta em micro shorts com volumes que lembram fraldas infantis. Conforme Bella amadurece, as roupas recebem uma dose de sensualidade. Outra simbologia importante é o vestido do seu casamento, que foi pensado para se assemelhar a uma gaiola e representar o aprisionamento de seus desejos.

As mangas extravagantes, os volumes ousados e as camadas de babados são características marcantes do filme, e foram inspiradas nas formas orgânicas de animais marítimos: “Fui reunindo referências de coisas que vivem no fundo do mar, criaturas estranhas, olhando as superfícies táteis dos organismos; dando essa sensação de tudo respirando e vivendo”, conta Holly Haddington, “Foi uma oportunidade rara de ser livre e artística.”

  • Indicados Oscar de Melhor Figurino: Barbie

Barbie era um dos favoritos para a categoria. Divertido, sensível e polêmico na medida certa, ele bateu todos os recordes de bilheteria em 2023. A figurinista Jacqueline Durran destacou essa relação lúdica com a moda: a brincadeira iniciava quando as crianças vestiam a boneca.

Mergulhando nesse universo, Jacqueline inspirou-se nas referências da história da Barbie com réplicas de looks para evocar a nostalgia do público. Também contou com acervos dos anos 80 da grife Chanel, como os icônicos terninhos de tweed, itens de moda praia, esportivos e acessórios. A repercussão foi tanta que virou tendência, o Barbiecore

  • Indicados Oscar de Melhor Figurino: Assassinos da Rua das Flores

A trama do filme Assassinos da Rua das Flores foi baseada nos assassinatos em série que ocorreram na aldeia indígena de Osage, no Oklahoma, em 1920. E o mais interessante da produção é que a comunidade nativa americana assessorou a figurinista Jacqueline West  a dar vida às peças de roupa, celebrando a sua tradição, técnicas artesanais e padronagens únicas.

West trabalhou em conjunto com Julie O’Keefe, consultora indígena Osage, para recriar a exuberância das vestimentas dos nativos, que naquela época, possuíam enormes reservas de petróleo em suas terras.

Mesmo com a riqueza material, os Osage mantinham suas raízes culturais na indumentária, com cobertores, xales, fitas, franjas e joias originais, o que foi muito bem representado no filme.

  • Indicados Oscar de Melhor Figurino: Napoleão

“Para Josephine, o mundo… e os mais belos vestidos e joias” , é com essa fala que Napoleão conquista a sua amada no filme. O roteiro retrata a ascensão e queda do imperador francês e a relação com a sua esposa Josephine.

A imperatriz é o destaque fashion da produção, representando o período de ruptura do estilo barroco e dos espartilhos e o surgimento da silhueta império (vestidos retos, com costura ajustada abaixo do busto). 

Assinado por Janty Yates, o figurino é marcado pela opulência e também pelo militarismo, com cerca de 4 mil uniformes produzidos para as cenas de batalha.

  • Indicados Oscar de Melhor Figurino: Oppenheimer

Oppenheimer, o grande vencedor da noite com sete estatuetas, apresenta um figurino que se destaca pela sua excelência na alfaiataria.

A figurinista Ellen Mirojnick teve como maior desafio compor um visual marcante para o protagonista J. Robert Oppenheimer, o físico responsável pela criação da bomba atômica e a sua inspiração, curiosamente, veio do ícone da música David Bowie.

“Christopher Nolan, o diretor, me enviou algumas fotos de David Bowie, do período Thin White Duke. Ele usava aquelas calças enormes, era tão esguio, mas incrivelmente estiloso. Então, de forma estranha, usamos aquilo nas calças de Oppenheimer”, conta o protagonista Cillian Murphy. O resultado foi o combo de calças pregueadas de cintura alta + suspensórios + gravatas curtas + paletós alongados + os chapéus de abas largas, que Bowie também usava.

  • Oscar Melhor Figurinos: Tendências

Observando os figurinos dos longas, duas macrotendências são marcantes. A volta aos clássicos está presente em todos os filmes com peças que resistem ao teste do tempo e fazem referência a estilos do passado. Isso reflete na crescente preferência dos consumidores por peças atemporais, de alta durabilidade e qualidade.

O maximalismo é outra tendência constante nas produções, com visuais impactantes, shapes autorais e o excesso de detalhes. Composições bem distantes do estilo minimal, que dominou os anos anteriores. Essas referências over são vistas na moda com estéticas como a  Mob Wife.

E aí, gostou de acompanhar esse olhar cinematográfico da moda? Acompanhe o meu Instagram @joyalano_ e inscreva-se no canal do YouTube para conferir todas as novidades.

Texto produzido por Monic Menezes especialmente para Joy House

Referências: 

Imagem destaque: Pobres Criaturas

Harpers Bazaar – Assassinos da Rua das Flores

Marie Claire – Pobres Criaturas

New York Times – Pobres Criaturas

Oficina Reserva – Oppenheimer

Steal The Look – Napoleão

Veja – Assassinos da Rua das Flores

Nesse texto usamos algumas palavras e termos em inglês. Que tal incluí-las no seu vocabulário, caso sejam novas para você?

Review = Revisão, crítica.

Fashionistas = Expressão popular que significa pessoas antenadas na moda.

Shapes = Formatos, silhuetas.

Minimal = Minimalista.

Over = Exagerado.

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